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O Valor dos Fandoms: Por que o mercado precisa entender as microcomunidades de Gaming

O Valor dos Fandoms: Por que o mercado precisa entender as microcomunidades de Gaming

O Brasil consolidou sua posição como o maior mercado de gaming da América Latina. Dados da edição 2025 da Pesquisa Game Brasil (PGB) e da PwC revelam que 82,8% dos brasileiros consomem jogos digitais. O setor atingiu um patamar financeiro e cultural tão expressivo que, 

hoje, supera os mercados de filmes e música juntos. No entanto, ao traçar estratégias de mídia para esse público, o mercado publicitário frequentemente comete um erro de base conceitual: tratar os “gamers” como uma massa demográfica homogênea. 

Na realidade, esse público é multifacetado e altamente fragmentado. Falar com os fãs de jogos eletrônicos exige o entendimento do valor dos fandoms e de como eles se subdividem em nichos específicos. 

A Economia da Atenção 

O ecossistema digital contemporâneo tem nos games um dos seus principais motores de atenção. Para ilustrar esse cenário, basta notar que 50% dos canais com mais inscritos no YouTube são dedicados ao segmento , figurando no Top 10 de conteúdos mais consumidos na plataforma em 2025. Além disso, o Brasil possui a segunda maior audiência digital de e-sports no mundo. 

Acessar essa audiência significa garantir um potencial estratégico de mercado incomparável, caracterizado pelo alto engajamento e por um tempo prolongado de exposição. Os jogadores passam horas semanais em contato com conteúdos, comunidades e plataformas de streaming. 

Porém, existe um desafio claro: apesar do engajamento elevado, trata-se de um público de alta exigência. Cada fandom possui o seu próprio rigor de consumo. Na prática, as comunidades reconhecem e celebram quando adaptações audiovisuais acertam no visual dos personagens , mas, em contrapartida, ironizam e repudiam o uso de tecnologias questionáveis, como a aplicação de Inteligência Artificial para refazer texturas originais em jogos. 

O Discurso vs. Prática: FGC e Fifeiros 

No discurso cotidiano, os grupos de gamers costumam ser tratados como iguais, mas, na prática, seus comportamentos são drasticamente diferentes. Uma análise sobre duas comunidades populares ilustra bem essa divergência: 

  • FGC (Fighting Game Community): É um grupo construído em torno da cultura, competição e do senso de pertencimento.
  • Eles não apenas jogam, mas consomem intensamente formatos de lives e acompanham grandes campeonatos.
  • O engajamento se dá por meio de debates técnicos e especialização em seus jogos favoritos.
  • Com a chegada da EVO (maior torneio de jogos de luta do mundo) ao Brasil pela primeira vez em 2027, o potencial estratégico dessa comunidade ganha ainda mais força.
  • Fifeiros (Fãs de Simuladores de Futebol): Formados predominantemente por homens entre 18 e 40 anos, eles possuem uma rotina de jogo ritualizada.
  • O foco desse subgrupo é movido pela nostalgia e pelo apreço de jogar localmente. ● Antes de serem gamers, eles são fãs de futebol (80% dos brasileiros declaram torcer para algum time).
  • Para eles, o game é uma extensão social do esporte real, sendo a experiência focada muito menos na competitividade profissional e mais no entretenimento.
  • O calendário desta comunidade é fortemente influenciado por eventos do mundo físico, fazendo da Copa do Mundo de 2026 um momento de altíssimo engajamento.

Oportunidades Além do Console 

Compreender essas nuances é vital porque o consumo dessas comunidades se expande para muito além do game em si. Dados mostram que há um interesse de 77% por parte dessa audiência no segmento de food delivery (19 pontos percentuais a mais que a média nacional). Da mesma forma, 49% assinam mais de quatro serviços de streaming (15,5 pontos percentuais acima da média do país). Eles valorizam experiências com marcas. 

Falar com gamers não é se comunicar com uma audiência única, mas sim dialogar com um conjunto de comunidades que detêm comportamentos e culturas muito próprias. O calendário gamer não é o mesmo para todos. No universo dos jogos digitais, a relevância vem do contexto. Entender profundamente essas diferenças é, em última análise, o fator decisivo para definir se uma marca será estrategicamente relevante ou sumariamente ignorada dentro do ecossistema.

Para acessar mais insights e detalhamentos sobre os diferentes perfis de
comunidades gamers, confira a íntegra do estudo.

Autor(a): Matheus Vasconcellos, Gerente de Conteúdo e Produtos Gaming da Webedia Brasil.

 

As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a posição do IAB Brasil.

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