O mercado de publicidade digital “ganha” ferramentas inovadoras a cada dia, movimento muito natural, já que trata-se de um meio em que as mudanças ocorrem muito rapidamente. Entretanto (e infelizmente), a profissionalização de quem atua na área não acompanha esse ritmo, o que dificulta o uso e desenvolvimento dessas novas tecnologias em ações e campanhas de marketing on-line no Brasil.
Recentemente realizado pelo IAB Brasil, o evento Adtech e Data, que discutiu as últimas tendências do marketing digital, teve como ponto de destaque o entendimento e utilização do conceito de Big Data para otimização de campanhas on-line. Amplamente discutido e trabalhado no mercado de TI, o Big Data está ganhando cada vez mais espaço na área de Marketing e Publicidade, já que trata-se da análise das informações digitais, dados obtidos em volume, variedade e velocidade inéditos até hoje. Para se ter uma ideia, de acordo com dados da IBM, a quantidade de informação gerada cresceu de 1,7 zettabytes, em 2011, para 2,7 zettabytes, em 2012. A projeção é que até 2015 o volume da informação digital chegue a um total de 8 zettabytes (1 zettabyte corresponde à mais de 1 trilhão de GB).
Pensar em analisar, diariamente, esse enorme tráfego de informações chega a assustar, mas existem ferramentes que auxiliam o trabalho com esses dados e é aqui que a profissionalização se faz importante. Buscar conhecer esses caminhos nos permite, por exemplo, entender uma das grandes novidades no mercado de Big Data: a implementação de soluções para análise de dados não-estruturados, obtidos por meio das redes sociais. São os conhecidos Tweets, posts no Facebook, ferramentas de geolocalização e vídeos, materiais extremamente relevantes, que representam 85% das informações com que as empresas lidam hoje e que permitem conhecer o comportamento on-line dos consumidores.
Conhecer a fundo seu público, entendendo quais os seus interesses, seus desejos e o caminho que percorre no “mundo” digital para encontrar os produtos que procura, é fundamental para que empresas e agências consigam definir estratégias de comunicação, fazendo com que a marca esteja presente de forma relevante no local em que o consumidor mais precisa dela.
Para quem ainda não se convenceu da importância da análise desses dados, vale o estudo do case da Walt Disney, uma das mais conhecidas e empresas do mundo que recebe, anualmente, aproximadamente 100 milhões de visitantes em seus parques. Partindo do entendimento de que essas pessoas geram milhares de dados, a empresa criou uma forma de obter e entender essas informações: uma pulseira magnética batizada de MagicBand. O uso do acessório é opcional e sua utilização, liberada por meio de um número de cartão de crédito, funciona como ingresso para os parques, chave dos quartos nos hotéis, além de garantir uma série de benefícios como pré-agendamento de entrada nas atrações, mudanças de reservas via aplicativo de celular a até um contato mais próximo com os personagens do Universo Disney, que chegam as chamar as crianças por seus nomes dizendo que esperavam ansiosamente pela visita. Enquanto oferece essas facilidades e experiências mágicas aos visitantes, a pulseira funciona como um coletor de informações que vão sendo armazenadas e analisadas, gerando assim um imenso banco de dados, que permitirá a tomada de decisões cada vez mais acertadas e estratégicas.
O Big Data é o assunto do momento e sua utilização será cada vez mais frequente nos mais diferentes ramos do mercado. Para conseguir aproveitar os benefícios que ele pode trazer para a estratégia de sua empresa ou de seus clientes, primeiro tenha em mente que um amontoado de dados, por mais gigante que seja, não é Big Data. Esse termo só vale para bancos de dados enormes e organizados, de onde é possível buscar e analisar informações relevantes. E já existem diversas empresas, como a Disney, revolucionando seu negócio e encantando seus clientes usando essas novas ferramentas. Não existem fórmulas mágicas de sucesso – somente com muita análise (e muitos dados) é possível entender melhor o usuário e entregar exatamente o que ele quer.





