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Quanto vale uma boa ideia?

Quanto vale uma boa ideia?

Em um mercado com cada vez mais “soluções tecnológicas de balcão”, a criatividade continuará sendo o grande diferencial para as marcas.

Quando recebi o convite para escrever este artigo, imediatamente pensei em abordar alguma nova tecnologia disruptiva, criada para potencializar ainda mais a comunicação das marcas.

Pensei em escrever sobre os avanços da realidade aumentada, permitindo ao consumidor uma experiência totalmente imersiva com o produto, antes mesmo de uma eventual compra. Ou quem sabe um texto sobre como machine learning irá revolucionar a forma como as marcas se comunicam com seus clientes. Poderia também escrever sobre as tecnologias de automação de criativos, que permitem uma personalização de anúncios em níveis nunca antes imaginados.

Mas vamos ser sinceros, a novidade de hoje é o trivial do amanhã. E se você quiser saber um pouco mais sobre alguma dessas tecnologias, basta uma rápida pesquisa no seu buscador para ver que essas soluções já estão aí, disponíveis e ao alcance de todos.

São centenas de novos serviços e ferramentas, automatizando processos, analisando públicos e mercados, criando estratégias e mensurando resultados de formas cada vez mais práticas e assertivas.

E isso é ótimo, certo? Certo. Mas talvez não tão certo assim.

A importância de acompanhar a revolução digital não é novidade para ninguém. Toda marca que deseja prosperar precisa encontrar formas de criar e manter conexões com seus públicos. Mas, na mesma medida em que as ferramentas e tecnologias avançam para auxiliar as marcas, a maioria das pessoas acaba optando por estratégias muito similares.

Em poucas palavras: quando todo mundo está fazendo o mesmo para ser criativo e/ou diferenciado, ninguém de fato está sendo.

Será então essa falta de originalidade e soluções padronizadas uma prévia do que o futuro da comunicação nos reserva? A performance vai matar a criatividade? Eu gosto de pensar exatamente o oposto. Que em cada ponto de contato onde as marcas estão seguindo padrões pré-definidos, existe uma oportunidade de fazer algo de fato criativo e relevante.

Pense comigo, quando foi a última vez que você viu algo realmente criativo e novo em social media? Quando foi a última vez que você foi impactado por um anúncio totalmente fora do convencional?

Mas por que tão poucos estão buscando por soluções mais criativas, mesmo quando o próprio Google afirma que 75% do impacto dos anúncios está diretamente relacionado à qualidade dos criativos?

A resposta é mais simples do que você imagina. Porque criatividade dá trabalho, leva tempo e custa dinheiro. E mais do que isso, criatividade envolve assumir riscos.

O autor Joseph Chilton Pearce disse: “Para viver uma vida criativa, devemos perder o medo de errar.” Eu sei que não é fácil assumir riscos em realidades de negócios que exigem retornos cada vez mais rápidos, investimentos cada vez mais reduzidos e que simples erros podem custar prejuízos financeiros, empregos e até mesmo a existência do próprio negócio. Realmente não é fácil, mas é necessário.

Acredite, criatividade é muito mais que um investimento. Ela pode se tornar o diferencial mais único e proprietário que sua marca pode ter. E você não precisa ir longe para constatar isso. Basta uma breve análise para ver que as marcas líderes em seus segmentos em qualquer lugar do mundo fazem da criatividade uma força em suas estratégias de comunicação.

Em um passado recente, vimos a indústria da propaganda prosperar com suas principais receitas oriundas das bonificações de mídia, muitas vezes abrindo mão de cobrar por seu artigo mais valioso: a capacidade de gerar grandes ideias.

E agora, vemos grandes agências tradicionais encolhendo, fazendo fusões e revendo totalmente sua forma de atuação. É claro, como começar a cobrar por algo que você sempre ofereceu praticamente de graça?

O mercado como um todo precisa entender que as agências terão um papel cada vez mais consultivo daqui para frente. E que o grande produto que estará à venda não será um espaço publicitário na mídia ou uma produção. Será o pensamento criativo, o planejamento estratégico, a capacidade analítica, as soluções reais de problemas. Ou seja, as ideias!

Ao final de 2018, a Nike “apostou” na ideia de estampar o jogador de futebol americano Colin Kaepernick em sua campanha. O jogador, que havia se ajoelhado durante o hino americano para protestar contra a brutalidade policial, se tornar o rosto da principal marca de esportes do mundo gerou polêmica e revolta em um primeiro momento. Mas a Nike acreditou na ideia e, principalmente, na causa por trás dela. E o resultado veio: a maior valorização das ações da Nike da história, um aumento de 6 bilhões em vendas no período comparado com anos anteriores e a conquista dos principais prêmios da propaganda mundial do ano passado.



Eu poderia citar diversos outros exemplos para mostrar o quanto a criatividade e uma boa ideia podem fazer por uma marca. As boas ideias vão muito além de campanhas publicitárias. Elas mudam rumos dos negócios, vendem, tocam a vida das pessoas nos mais diversos níveis.

Certa vez, conversando com um redator publicitário que já havia conquistados todos os principais prêmios da propaganda mundial, perguntei qual deles era sua maior conquista. Sua resposta eu jamais vou esquecer.

“O melhor prêmio que já ganhei foi quando o dono da empresa para a qual eu havia feito a campanha me disse: sabe aquele filme que você criou para minha marca? Com aquele filme eu construí duas novas fábricas e contratei mais 500 funcionários.”

Esse é o verdadeiro poder da criatividade. A sua capacidade de gerar oportunidades para seguir sempre em frente, impactando a vida das pessoas e mudando os rumos dos negócios.

Mas afinal, quanto vale uma boa ideia? Para mim, vale muito. Vale o futuro.
Valorize quem traz criatividade para seu negócio.

Autor: João Bruno Werzbitzki, Líder Criativo na GhFly.